Quando o assunto é compliance, é possível verificar que as regulamentações têm se tornado cada vez mais complexas e a crescente busca por eficiência e efetividade nessa área tem feito com que as empresas procurem se adaptar rapidamente, visando garantir que suas operações sejam éticas e em conformidade com as leis.
Um estudo recente realizado pelas empresas Aliant e Protiviti, da holding ICTS, apontou as quatro principais tendências que moldarão o compliance ao longo de 2025. A pesquisa, que ouviu 110 profissionais da área, revelou que os pilares do setor nos próximos anos serão: a estabilidade de equipes e orçamentos; a automatização de tarefas; o desenvolvimento de habilidades estratégicas e a integração da agenda ESG. A seguir, aprofundaremos cada um desses itens. Confira!
Tendência 1: estabilidade de equipes de compliance e orçamentos
A primeira tendência é referente ao tamanho das equipes de compliance e aos orçamentos destinados a esse setor. Em 2024, 46% das empresas tinham times com mais de cinco pessoas, e em 2023, o número correspondia a 28%. Já equipes com mais de 11 integrantes passaram de 9% para 25%, de um ano para o outro.
Apesar desse crescimento, 57% dos respondentes disseram acreditar que o tamanho das equipes de compliance permanecerá estável ao longo de 2025. De acordo com a amostragem geral, o orçamento destinado ao setor se manteve estável (55%) de 2023 para 2024.
Tendência 2: automatização de tarefas
A busca por eficiência, efetividade e otimização no setor de compliance está diretamente ligada à automatização de processos por meio de ferramentas tecnológicas. De acordo com a pesquisa, 85,4% das empresas já automatizaram a gestão do Canal de Denúncias e outras funções como diligências de terceiros (77,2%) e treinamentos (57,2%) também têm sido progressivamente automatizadas. Isso porque a tecnologia não apenas acelera a análise e a resposta dos casos, como também ajuda a minimizar erros humanos e melhora a confiabilidade das operações.
Outro ponto mostrado pelo estudo é o aumento da terceirização de atividades de compliance, que passou de 35% em 2023 para 46% das empresas em 2024. A principal motivação tem sido a busca por mais produtividade (27%), seguida pela falta de ferramentas internas adequadas (14%) e a redução de custos (12%). Isso possibilita que as organizações se concentrem em outras áreas, enquanto especialistas externos cuidam da gestão de compliance a partir de soluções mais avançadas e tecnologia de ponta.
Tendência 3: desenvolvimento de habilidades estratégicas para enfrentar desafios
A pesquisa identificou que a terceira tendência é o desenvolvimento da capacidade estratégica de lidar com desafios, como, por exemplo, o gerenciamento de riscos (92%), assédio e discriminação (89%) e o combate a fraudes (85%), sempre com a habilidade de compreender o comportamento humano com empatia e observação.
Além disso, a necessidade de criar um ambiente de trabalho mais inclusivo e seguro tem levado muitas empresas a reforçarem a capacitação de suas equipes. Isso inclui treinamento contínuo, análise comportamental e a promoção de uma cultura organizacional sólida e ética. Essas habilidades não são apenas requisitos para garantir a conformidade, mas também para proteger a reputação e os interesses das organizações a longo prazo.
Tendência 4: integração do compliance com a agenda ESG
Nos últimos anos, a agenda ambiental, social e de governança (ESG) tem ganhado cada vez mais importância no cenário corporativo. A integração do compliance com o ESG, que é a quarta tendência identificada, exige que as organizações adaptem suas políticas e processos para abordarem não apenas questões financeiras e legais, mas também os impactos ambientais e sociais de suas operações. Um exemplo disso seria incluir no Canal de Denúncias questões relacionadas a práticas ambientais e de direitos humanos.
Apesar de somente 10% dos entrevistados afirmarem que o ESG faz parte de suas funções, 68% reconhecem a importância de enfrentar riscos relacionados a essa agenda, afinal, a transparência e o compromisso com a sustentabilidade são fundamentais para garantir a conformidade com regulamentações nacionais e internacionais.
No entanto, vale ressaltar que para 58,8% dos entrevistados, os recursos atuais não são suficientes para as atribuições da área de compliance. Esse cenário traz à tona uma questão importante: como manter a eficiência do compliance em um ambiente de recursos limitados?
A resposta pode estar na maximização da produtividade por meio da automatização e da terceirização de serviços. Contudo, é imprescindível que as empresas encontrem o equilíbrio entre os avanços tecnológicos e a necessidade de manter equipes capacitadas, garantindo, assim, que a qualidade e a ética não sejam comprometidas pela busca de redução de custos.
Por fim, com um panorama de orçamentos restritos e equipes enxutas, o desafio para os profissionais de compliance será gerenciar de forma estratégica os recursos disponíveis, sem perder de vista os objetivos de conformidade e responsabilidade empresarial.
Para ficar por dentro de todas as novidades, continue acompanhando o Conexão.f.